domingo, 28 de junho de 2020

Texto dissertativo-argumentativo

Texto dissertativo-argumentativo


Características

As principais características do texto dissertativo-argumentativo são:
  • Presença de uma tese (ponto de vista) – em geral, no primeiro parágrafo do texto;
  • Desenvolvimento com argumentos que comprovem a tese;
  • Conclusão em forma de síntese ou com propostas de solução para os problemas discutidos no texto;
  • Uso da norma-padrão da língua portuguesa.

Estrutura

O texto dissertativo-argumentativo tem sua estrutura dividida em três – introdução, argumentação e conclusão – e cada uma delas tem suas particularidades, conforme explicaremos a seguir:
  • Introdução

O primeiro parágrafo do texto dissertativo-argumentativo deve conter duas partes – a apresentação do tema e a explicitação da tese.

Por exemplo, acerca do assunto “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, uma tese possível seria “o preconceito contra as religiões de matriz africana dificulta o combate à intolerância religiosa no Brasil.”
  • Argumentação

Os parágrafos intermediários das dissertações escolares são reservados para a comprovação da tese apresentada na introdução. Um argumento é composto duas partes: a fundamentação e a análise do fundamento.
Na fundamentação, o autor deve buscar provas de que seu ponto de vista está correto. São considerados fundamentos citações de autoridade, referências históricas, conceitos teóricos consagrados, notícias publicadas em jornais de qualidade, etc.
Na análise do fundamento, o redator deve explicitamente demonstrar qual é a relação entre a prova levantada e a tese proposta. Um exemplo de argumento para a tese escrita alguns parágrafos acima seria:
Segundo a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro, 70% de 1.014 casos de ofensas, abusos e atos violentos registrados no Estado entre 2012 e 2015 são contra praticantes de religiões de matrizes africanas. Esse dado alarmante comprova que o racismo estrutural brasileiro, advindo da herança escravocrata do país, é um dos fatores que mais dificultam o combate à intolerância religiosa no Brasil.

  • Conclusão

O último parágrafo do texto dissertativo-argumentativo pode ser feito de duas maneiras: em forma de síntese ou com proposta de solução.
No caso da síntese, o autor deve resumir os argumentos e repetir sua tese, concluindo o raciocínio construído desde a introdução.
No caso da conclusão com proposta de solução, é preciso que o redator apresente soluções práticas e detalhadas acerca dos problemas levantados no texto. Se, por exemplo, o problema discutido na argumentação foi o preconceito contra religiões de matriz africana, a solução deve ser direcionada a essa questão. Uma proposta detalhada, é importante ressaltar, deve determinar:
  1. Agentes (quem executará);
  2. Ações (o que será feito);
  3. Meios (como a solução será produzida);
  4. Efeitos (o que gerará a aplicação da solução).
Portanto, sugerir que o Ministério da Educação (agente) produza materiais publicitários combatendo o preconceito contra religiões de matriz africana (ação) por meio de TVs, rádios, jornais e redes sociais (meio) para que os índices de violência contra centros religiosos afros diminuam (consequência) seria uma boa proposta de solução para o Enem.

Exemplo de texto dissertativo-argumentativo

Veja, a seguir, um exemplo de dissertação nota mil na prova no Enem de 2017, cujo tema solicitado foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”:
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos deficientes auditivos brasileiros, os quais buscam ultrapassar as barreiras as quais os separam do direito à educação. Nesse contexto, não há dúvidas de que a formação educacional de surdos é um desafio no Brasil o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade.
A Constituição cidadã de 1988 garante educação inclusiva de qualidade aos deficientes, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro "Ética a Nicômaco", a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta não apenas da educação inclusiva, como também da preparação do número suficiente de professores especializados no cuidado com surdos não está presente em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos deficientes auditivos nas escolas. Tristemente, a existência da discriminação contra surdos é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras à formação educacional de surdos.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos surdos. - uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador - a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral - por conseguinte - conscientizem-se. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.
Isabella Barros Castelo Branco, do Piauí.

Plano de texto: como fazer um texto dissertativo-argumentativo passo a passo

Para produzir uma boa redação dissertativo-argumentativa, é fundamental, antes de tudo, fazer um bom projeto de texto. Para tanto, basta que o escritor escreva e preencha, em folha à parte, os seguintes tópicos:
  • Tema: escreva a frase temática inteira, não a resuma aqui.
  • Tese: nesse espaço, escreva qual será o ponto de vista defendido no texto.
  • Argumentos: elenque quais serão os fundamentos usados em cada argumento – é importante que a dissertação contenha, ao menos, dois argumentos. Em seguida, explicite como cada fundamento comprova a tese acima citada.
  • Propostas de solução: no caso do Enem, é necessário produzir sugestões para diminuir ou acabar com os problemas discutidos no texto. Portanto, nesse espaço, apresente essas soluções, detalhando as ações, os agentes, os meios e as consequências para cada solução.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Figuras de Linguagem

Figuras de Linguagem

As Figuras de Linguagem são recursos da Língua Portuguesa que criam novos significados para as expressões, ao trabalhar com o sentido conotativo em vez do literal.

Figuras semânticas1. Metáfora

“Deixe a meta do poeta, não discuta / Deixe a sua meta fora da disputa / Meta dentro e fora, lata absoluta / Deixe-a simplesmente metáfora” (Metáfora — Gilberto Gil)

A metáfora é, provavelmente, a figura de linguagem que mais utilizamos no nosso dia a dia. Ela se baseia em uma comparação implícita, sem o elemento comparativo (“como” ou “tal qual”, por exemplo), em que uma característica de determinada coisa é atribuída ao elemento metaforizado.

Consiste em usar a palavra referente a essa coisa no lugar da característica propriamente dita, depreendendo uma relação de semelhança que, por termos uma linguagem flexível e complexa, conseguimos entender.

Por exemplo, se dizemos que “Maria Rita é uma flor”, nosso cérebro já tem mecanismos para compreender que o que queremos dizer é que ela é delicada, perfumada, bonita etc., e não que ela seja literalmente uma flor.

Para textos na web, é interessante utilizar algumas metáforas para validar seus argumentos e enriquecer linguisticamente o seu texto.

Se você está escrevendo sobre novas tecnologias, por que não contar com metáforas referentes a objetivos tecnológicos? Dessa forma, seu leitor ficará mais preso ao tema proposto e sua produção lhe parecerá mais atraente e bem escrita.

Mas tenha cuidado, pois há mais de uma possibilidade de interpretação da metáfora, já que a identificação entre os dois elementos em comum pode ficar por conta do leitor. Portanto, procure esclarecer ao máximo o que você quer dizer quando usar esse recurso.

2. Símile ou Comparação

“Te ver e não te querer (…) / É como mergulhar no rio / E não se molhar / É como não morrer de frio / No gelo polar” (Te Ver — Samuel Rosa, Lelo Zaneti e Chico Amaral)

A símile é, assim como a metáfora, uma figura de comparação — mas, dessa vez, explícita. Como assim?

A metáfora é mais subjetiva, pois sugere implicitamente uma ligação entre dois seres ou entidades diferentes a partir de uma característica em comum, enquanto a símile apenas aponta que existe uma semelhança específica e objetiva entre os dois elementos comparados.

Retomando o exemplo que trouxemos quando explicamos a metáfora, uma símile seria “Maria Rita é bela como uma flor” ou “Maria Rita é cheirosa, assim como uma flor” — dessa forma, ressaltamos o determinado atributo que queremos comparar e trazemos um elemento comparativo (“como”, “que nem”, “assim como”, “tal qual”).

Quando se escreve para a web, fazer comparações explícitas pode ajudar você a ressaltar um argumento ou contrastar opções com mais propriedade e clareza.

Como a símile é mais objetiva que a metáfora, ela é uma opção mais segura para ser utilizada em textos com uma linguagem mais séria. Além disso, a relação de similaridade (daí o nome “símile”!) entre os vocábulos pode ser uma carta na manga na hora de convencer o leitor do seu ponto de vista.

3. Analogia

A analogia também é uma espécie de comparação, mas, nesse caso, feita por meio de uma correspondência entre duas entidades distintas. O termo também é utilizado no Direito e na Biologia.

Na escrita, a analogia pode ocorrer quando o autor quer estabelecer uma aproximação equivalente entre elementos por meio do sentido figurado e dos conectivos de comparação.

Por exemplo, em um trecho do romance “A Redoma de Vidro”, a autora Sylvia Plath faz uma analogia entre a abundância de opções que temos para escolher o que faremos da vida e uma árvore cheia de figos:

“Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poeta famosa, outro, uma professora brilhante, outro era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar. Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.”

Para a web, usar analogias pode ser eficiente quando você quer simplificar o assunto abordado. Caso ele seja muito complexo, é só fazer uma analogia com algo mais simples que o leitor entenderá mais facilmente e seu texto se enriquecerá.

4. Metonímia

“E no Nordeste tudo em paz / Só mesmo morto eu descanso / Mas o sangue anda solto / (…) / Terceiro mundo, se for / Piada no exterior / Mas o Brasil vai ficar rico” (Que País é Esse? — Renato Russo)

A metonímia é mais uma figura de linguagem que tem a ver com semelhanças. Ela ocorre quando um único nome é citado para representar um todo referente a ele. Por exemplo, é comum dizermos frases como “Adoro ler Clarice Lispector” ou, ainda mais comum, “bebi um copo de leite”.

No primeiro caso, o que eu adoro ler são os livros escritos pela autora Clarice Lispector, e não a pessoa dela em si. No segundo caso, ocorre o mesmo: o que eu bebi foi o conteúdo (leite) que estava dentro do copo, e não o objeto copo propriamente dito.

Ao escrever para a web, a metonímia é muito útil e, muitas vezes, usada sem nem percebermos.

Acontece quando substituímos uma marca por um tipo específico de produto — por exemplo, Durex substituindo fita adesiva, Toddy substituindo achocolatado em pó e Maizena substituindo amido de milho. Ela traz maior fluidez à escrita, além de levar o leitor a se identificar com o texto.

5. Perífrase

“Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil” (Cidade Maravilhosa — André Filho)

A perífrase acontece quando um nome ou termo é substituído por alguma característica marcante sua ou por algum fato que o tenha tornado célebre.

Por exemplo, quando falamos no “rei da selva”, estamos falando do leão. Da mesma forma, podemos nos referir à capital francesa como “Cidade Luz” e ao Rio São Francisco como “Velho Chico”. Já no caso de pessoas, essa substituição tem o nome de antonomásia (para saber mais, veja o item 13).

Essa figura de linguagem difere da metáfora, uma vez que a expressão usada para substituição refere-se unicamente ao termo original, de modo que ele é facilmente identificado.

Na web, a perífrase pode ser utilizada para evitar a repetição de um nome, dando maior riqueza ao texto. Atenção apenas para não usar codinomes que não sejam populares, pois isso pode dificultar o entendimento do leitor.

6. Sinestesia

“Palavras não são más / palavras não são quentes / palavras são iguais / sendo diferentes” (Palavras — Sérgio Britto e Marcelo Fromer)

É uma figura de linguagem bastante utilizada na arte, principalmente em músicas e poesias, uma vez que ela trabalha com a mistura de dois ou mais sentidos humanos (olfato, paladar, audição, visão e tato).

Na frase “Um silêncio amargo invadiu a sala”, há um tipo de gosto (paladar) servindo de adjetivo para o silêncio (audição), por exemplo.

Na web, é possível utilizar essa figura quando a pauta permitir: moda, culinária e fotografia, por exemplo, são categorias em que, dependendo do foco desejado, a metonímia cai muito bem, intensificando as sensações que o texto eventualmente pode querer passar ao leitor.

7. Hipérbole

“Por você eu largo tudo / Vou mendigar, roubar, matar / Até nas coisas mais banais / Pra mim é tudo ou nunca mais” (Exagerado — Cazuza)

Ao contrário do eufemismo, a hipérbole serve para exaltar uma ideia, com o objetivo de causar maior impacto e entusiasmo. Ela é muito usada em nosso cotidiano, como na expressão “Estou morta de fome”, em que a intenção é enfatizar propositalmente o quanto estamos precisando comer.

Para a web, esse recurso é maravilhoso, pois, se a intenção é convencer o leitor do que estamos dizendo, nada melhor que chamar a atenção dele para o que queremos, apenas usando termos exagerados.

8. Catacrese

“Me ame devagarinho / Sem fazer nenhum esforço / Tô doido por seu carinho / Pra sentir aquele gosto / Que você tem na maçã do rosto / Que você tem na maçã do seu rosto” (Maçã do Rosto — Djavan)

A catacrese é o nome que utilizamos para algo que não tem um nome próprio. Em outras palavras, pegamos um termo que já existe e o “emprestamos” para alguma outra coisa. Assim, o substantivo representa dois significados diferentes, que não têm associação.

Maçã do rosto, pé da mesa e asa da xícara são alguns dos exemplos de catacrese muito utilizados no dia a dia.

9. Eufemismo

“Dar à luz a uma criança / é iluminar os seus dias / dividir suas tristezas / somar suas alegrias / é ser o próprio calor / naquelas noites mais frias” (Dar à Luz — Bráulio Bessa)

O recurso do eufemismo é utilizado quando se deseja dar um tom mais leve para uma expressão — ou seja, é diretamente oposto à hipérbole. O significado permanece, mas a frase se torna menos direta, pesada, negativa ou depreciativa. “Fulano descansou em paz” é um ótimo exemplo de eufemismo muito utilizado.

10. Pleonasmo

“Vamos fugir / Pra outro lugar, baby!” (Vamos Fugir — Skank)

O pleonasmo ocorre quando se repete uma palavra ou expressão na mesma frase com o mesmo significado. Do ponto de vista da gramática, ele é considerado um vício de linguagem (deixando a frase redundante). Entretanto, na literatura, costuma ser usado para dar ênfase.

11. Anáfora

“É preciso amor / Pra poder pulsar / É preciso paz pra poder sorrir / É preciso a chuva para florir” (Tocando em Frente — Almir Sater)

É um recurso utilizado para dar mais ênfase à mensagem, por meio da repetição de palavras. Ela acontece de forma sucessiva no começo das frases, versos ou períodos.

12. Ambiguidade ou Anfibologia

“Um primo contou ao outro que sua mãe estava doente.”

Ambiguidade é uma figura de linguagem muito utilizada no meio artístico, de forma poética e literária. Porém, em textos técnicos e redações ela é considerada um vício (e deve ser evitada). Ela ocorre quando uma frase fica com duplo sentido, confundindo a interpretação.

13. Antonomásia

“A ‘Dama de Ferro’ despertou admiração e ódio.” (Época Negócios)

Trata-se de um tipo de metonímia. Nesse caso, ocorre a substituição de um nome de pessoa por um conjunto de palavras que a caracteriza. Quando a substituição é de um nome comum ou lugar, o recurso utilizado é a perífrase.

Por exemplo, quando falamos “rei do futebol”, no Brasil, nos referimos ao jogador Pelé. Essa figura de linguagem difere da metáfora, uma vez que a expressão usada para substituição refere-se unicamente ao termo original, de modo que ele é facilmente identificado.

A antonomásia também pode ser utilizada para eliminar repetições e tornar o texto mais rico — e, assim como a perífrase, deve trazer termos que sejam conhecidos pelo público, de modo a não prejudicar a compreensão.

14. Alegoria

“A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente…” (Dom Casmurro — Machado de Assis)

É usada de forma retórica, a fim de ampliar o significado de uma palavra (ou oração). Ela ajuda a transmitir um (ou mais) sentidos do texto, além do literal.

15. Simbologia

“A pomba branca simboliza a paz.”

O conceito é bem simples: trata-se do uso de simbologias para indicar alguma coisa.

Figuras sintáticas (ou de construção)

De modo geral, esses recursos são utilizados em textos da web para dar maior fluidez ao texto, ao mesmo tempo que realçam a informação passada, deixando a escrita levemente mais rebuscada, mas sem perder a informalidade necessária nessas situações.

16. Elipse

“A tarde talvez fosse azul, / não houvesse tantos desejos” (Poema de Sete Faces — Carlos Drummond de Andrade)

A elipse consiste na omissão de um termo sem que a frase tenha seu sentido alterado. Por exemplo, na frase “(eu) Quero (receber) mais respeito”, os termos em parênteses podem ser omitidos sem que o sentido da frase seja alterado.

17. Zeugma

“O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano” (Paratodos — Chico Buarque)

O zeugma é basicamente o mesmo que a elipse, com a diferença de que ele é específico para omitir nomes ou verbos citados anteriormente — por exemplo, quando dizemos “Eu prefiro literatura, ele, linguística”, e deixamos de repetir o verbo “preferir”.

18. Silepse

“Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos, os modernos.” (Machado de Assis)

A silepse é quando há concordância com uma ideia, e não com uma palavra — ou seja, ela é feita com um elemento implícito. Pode ocorrer nos seguintes âmbitos: de gênero, de número e de pessoa.

No exemplo “O casal se atrasou, estavam se arrumando”, temos uma silepse de número. A princípio, a frase parece estar errada — já que o verbo “estar” deveria vir no singular, para concordar com “casal” —, mas não se preocupe, essa construção é permitida.

19. Hipérbato ou Inversão

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante” (Hino Nacional — Joaquim Osório Duque Estrada)

O hipérbato é um recurso de inversão da ordem direta da frase (sujeito-verbo-objeto-complementos). Um exemplo de inversão está na frase “Dorme tranquila a menina” — a ordem natural seria “A menina dorme tranquila”.

Quando a inversão é muito violenta, recebe o nome de sínquise e, quando é especificamente da posição do adjetivo, se chama hipálage.


20. Polissíndeto

“E o olhar estaria ansioso esperando / E a cabeça ao sabor da mágoa balançada / E o coração fugindo e o coração voltando / E os minutos passando e os minutos passando…” (Olhar para Trás — Vinícius de Moraes)

Essa figura de linguagem é a repetição de conectivos ligando termos da oração ou períodos. Normalmente, as conjunções coordenativas são repetidas, entre elas, o “e” é a mais comum.

Nem sempre esse recurso pode ser utilizado na redação para web, considerando que a repetição desnecessária pode deixar o texto cansativo.

21. Assíndeto

“Tem que ser selado, registrado, carimbado / Avaliado, rotulado se quiser voar! / Se quiser voar / Pra Lua: a taxa é alta / Pro Sol: identidade / Mas já pro seu foguete viajar pelo universo / É preciso meu carimbo dando o sim / Sim, sim, sim” (Carimbador Maluco — Raul Seixas)

Ocorre quando um conectivo é excluído da frase (como o “e”), a fim de trazer uma sequência de informações. Geralmente, é substituído por uma vírgula. É o contrário do que ocorre com o polissíndeto.

22. Anacoluto

“Umas carabinas que guardava atrás do guarda-roupa, a gente brincava com elas, de tão imprestáveis.” (José Lins do Rego)

Trata-se de uma alteração na estrutura da frase, a qual é interrompida por algum elemento inserido de forma “solta”. Alguns estudiosos defendem que o anacoluto é um erro gramatical.

Figuras de pensamento

23. Antítese

“Não existiria som se não / Houvesse o silêncio / Não haveria luz se não / Fosse a escuridão / A vida é mesmo assim / Dia e noite, não e sim” (Certas Coisas — Lulu Santos)

O uso de palavras com sentidos opostos é outro possível recurso para fortalecer o discurso e deixar um ponto de vista ainda mais claro. A antítese é, justamente, o contraste que ocorre quando os termos estão bem próximos e acentuam a expressividade do período.

Curiosamente, a antítese é marco da escrita barroca, tida como a arte do contraste, mas ainda tem espaço na escrita atual, principalmente no contexto digital. O contraste, além de enfatizar o sentido das palavras, esclarece que a divergência entre elas é o que garante, de certa forma, o argumento colocado.

24. Paradoxo

“Se você quiser me prender, vai ter que saber me soltar” (Tiranizar — Caetano Veloso)

O termo, formado pelo prefixo “para”, que indica “contrário a”, e o sufixo “doxa”, que quer dizer “opinião”, é consagrado pelos filósofos e seus sentidos vão além do uso na escrita.

Apesar de ser parecido com a antítese, o paradoxo é uma figura de linguagem usada para transmitir sentidos opostos em uma mesma construção sintática. As duas ideias devem estar na mesma frase para expressar essa contradição lógica e, geralmente, estão lado a lado.

No exemplo acima, o paradoxo é produzido pela oposição lógica das palavras “prender” e “soltar”. Outros bons exemplos são: “O riso é uma coisa séria”, “O melhor improviso é aquele que é mais bem preparado” e “(O amor) é ferida que dói e não se sente”, de Luís de Camões.

25. Gradação ou Clímax

“Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião, uns cingidos de luz, outros ensanguentados.” (Ocidentais — Machado de Assis)

Ao pensarmos na apresentação de ideias, a gradação é uma figura de linguagem que propõe a organização das palavras de acordo com a progressão — ascendente ou descendente — dos conceitos. O clímax é obtido com a gradação ascendente, enquanto o anticlímax é a organização de forma contrária.

26. Personificação ou Prosopopeia

“As casas espiam os homens / Que correm atrás das mulheres” (Poema de Sete Faces — Carlos Drummond de Andrade)

Personificar é atribuir características humanas e qualidades a objetos inanimados e irracionais. Também parece pouco usual, mas acontece mais do que imaginamos. É comum conceder sentimentos, ações, sensações e gestos físicos e de fala a objetos.

No trecho do poema, a prosopopeia é percebida no ato de dar ação à casa, que teria a qualidade de espiar os homens.

27. Ironia

“Moça linda bem tratada, / três séculos de família, / burra como uma porta: um amor!” (Moça Linda Bem Tratada — Mário de Andrade)

Na ironia, o interlocutor diz uma coisa, mas o significado é outro. Ela é muito conhecida e utilizada no dia a dia, mas ainda pode gerar certa confusão — principalmente na língua escrita. É utilizada para se expressar de forma sarcástica ou bem-humorada, além de servir como disfarce ou dissimulação.

28. Apóstrofe

“Oh! Deus, perdoe este pobre coitado / Que de joelhos rezou um bocado / Pedindo pra chuva cair sem parar” (Súplica Cearense — Luiz Gonzaga)

Trata-se da figura utilizada para invocação ou chamamento. Também é usada para indicar surpresa, indignação ou outro sentimento. Um exemplo muito comum é a expressão “minha Nossa Senhora!”, usada quando alguém se espanta com algo.

29. Alusão

“Eles estavam apaixonados como Romeu e Julieta.”

A alusão é um recurso utilizado para fazer referência ou citação, relacionando uma ideia a outra — o que pode ocorrer de forma explícita ou não. Ao fazer referência a um acontecimento, pessoas, personagens ou outros trabalhos, a alusão ajuda no entendimento da ideia que se deseja passar.

No caso do exemplo acima, o objetivo é explicar tamanha paixão que uma pessoa sente pela outra.

30. Quiasmo

“Cheguei. Chegaste / Tu vinhas fatigada e triste / e triste e fatigado eu vinha.” (No Meio do Caminho — Olavo Bilac)

O quiasmo ocorre quando existe um cruzamento de palavras (ou expressões), fazendo com que elas se repitam. Geralmente é usado para enfatizar algum feito. Um bom exemplo de como ele é usado no dia a dia: “Ele quase não sai. Vai de casa para o trabalho, do trabalho para casa.”.

Figuras sonoras31. Cacofonia

“Alma minha gentil, que te partiste / Tão cedo desta vida descontente, / Repousa lá no Céu eternamente, / E viva eu cá na terra sempre triste” (Luís de Camões)

Na cacofonia, a junção de duas palavras (as últimas sílabas de uma + as sílabas iniciais da outra) pode tornar o som diferente e criar um novo significado — ela é percebida ao falar, com o som fazendo parecer algo diferente do que realmente foi dito.

Nos versos acima, a cacofonia acontece logo no início: “alma minha“. Veja alguns exemplos de cacofonia que podemos produzir até mesmo sem perceber no dia a a dia:

“eu beijei a boca dela“ (cadela);“a prova valia 5 pontos, um por cada acerto” (porcada);“ela tinha uma saia longa” (latinha);“vou te dar uma mão nessa tarefa” (mamão).32. Onomatopeia

“Passa, tempo, tic-tac / Tic-tac, passa, hora / Chega logo, tic-tac / Tic-tac, e vai-te embora” (O Relógio — Vinícius de Moraes)

A onomatopeia é um recurso utilizado com o objetivo de reproduzir um barulho, som ou ruído. É muito usada em histórias. No trecho do poema acima, a onomatopeia “tic-tac” se refere ao barulho que o relógio faz.

33. Aliteração

“Lá vem o pato / Pata aqui, pata acolá / Lá vem o pato / Para ver o que é que há” (O Pato — Vinícius de Moraes)

Aliteração é quando se faz a repetição do som de uma consoante na mesma frase. É usada para dar ênfase ao texto e para criar trava-línguas. Ela tem a sonoridade como base, o que ajuda a ditar o ritmo.

Exemplos bem conhecidos de aliteração:

“o rato roeu a roupa do rei de Roma”;“quem com ferro fere, com ferro será ferido”.34. Assonância

A assonância é parecida com a aliteração, mas ocorre quando existe a repetição da vogal tônica ou de sílabas com as mesmas consoantes e vogais distintas. Como no exemplo a seguir, em que há repetição das mesmas consoantes com vogais diferentes:

“É a moda / da menina muda / da menina trombuda / que muda de modos / e dá medo” (Moda da Menina Trombuda — Cecília Meireles)

Apesar de não estarem restritos à oralidade, os recursos sonoros em textos escritos podem complicar um pouco mais a compreensão do texto, por isso, não são tão aproveitados.

35. Paronomásia

“Enquanto é tão cedo / Tão cedo / Enquanto for… um berço meu / Enquanto for… um terço meu / Serás vida… bem-vinda / Serás viva… bem viva / Em mim” (Realejo — O Teatro Mágico)

Consiste no uso de palavras iguais ou com sons semelhantes, mas que têm sentidos diferentes. Um exemplo de como ela é utilizada no cotidiano é o velho provérbio “quem casa, quer casa”, no qual a mesma palavra diz respeito ao casamento e à moradia.


Termos Essenciais da Oração

Termos Essenciais da Oração

Os termos essenciais da oração são o sujeito e o predicado. É em torno desses dois elementos que as orações são estruturadas.

O elemento a quem se declara algo é denominado sujeito. Na estrutura da oração, o sujeito é o elemento que estabelece a concordância com o verbo. Por sua vez, o predicado é tudo aquilo que se diz sobre o sujeito.

Sujeito = o ser sobre o qual se declara alguma coisa.
Predicado = o que se declara sobre o sujeito.

Na oração, sujeito e predicado funcionam assim:

Exemplo 1:

As ruas são intransitáveis.

Sujeito: as ruas
Verbo: são
Predicado: são intransitáveis
(este é um predicado nominal e abaixo você vai entender o porquê!)

Exemplo 2:

Os alunos chegaram atrasados novamente.

Sujeito: os alunos
Verbo: chegaram
Predicado: chegaram atrasados novamente
SujeitoNúcleo do sujeito

Núcleo do sujeito é a palavra com carga mais significativa em torno do sujeito. Quando o sujeito é formado por mais de uma palavra, há sempre uma com maior importância semântica.

Exemplo:

O garoto logo percebeu a festa que o esperava.

Sujeito: O garoto
Núcleo do sujeito: garoto
Predicado: logo percebeu a festa que o esperava

O núcleo do sujeito pode ser expresso por substantivo, pronome substantivo, numeral substantivo ou qualquer palavra substantivada.

Exemplo de substantivo:

A casa foi fechada para reforma.

Sujeito: A casa
Núcleo do sujeito: casa
Predicado: foi fechada para reforma.

Exemplo de pronome substantivo:


Eles não gostam de carne vermelha.
Sujeito: Eles
Núcleo do sujeito: Eles
Predicado: não gostam de carne vermelha.

Exemplo de numeral substantivo:

Três excede.
Sujeito: Três
Núcleo do sujeito: Três
Predicado: excede.

Exemplo de palavra substantivada:

Um oi foi expresso rapidamente.
Sujeito: Um oi
Núcleo do sujeito: oi
Predicado: foi expresso rapidamente.

Tipos de sujeito

O sujeito pode ser determinado (simples, composto, oculto), indeterminado ou inexistente.

Sujeito simples

Quando possui um só núcleo. Ocorre quando o verbo se refere a um só substantivo ou um só pronome, ou um só numeral, ou a uma só palavra substantivada.

Exemplo:

O desenho em nanquim será sempre uma expressão admirada.
Sujeito: O desenho em nanquim
Núcleo: desenho
Predicado: será sempre uma expressão admirada.

Sujeito composto

Com mais de um núcleo. As orações com sujeito composto são compostas por mais de um pronome, mais de um numeral, mais de uma palavra ou expressão substantivada ou mais de uma oração substantivada.

Exemplo:

Cristina, Marina e Bianca fazem balé no Teatro Municipal.
Sujeito: Cristina, Marina e Bianca
Núcleo: Cristina, Marina, Bianca
Predicado: fazem balé no Teatro Municipal.


Sujeito oculto

Ocorre quando o sujeito não está materialmente expresso na oração, mas pode ser identificado pela desinência verbal ou pelo período contíguo.

Também é chamado de sujeito elíptico, desinencial ou implícito.

Exemplo:

Estávamos à espera do ônibus.
Sujeito oculto: nós
Desinência verbal: estávamos

Sujeito indeterminado

O sujeito indeterminado ocorre quando não se refere a um elemento identificado de maneira clara. É observado em três casos:

quando o verbo está na 3ª pessoa do plural, sem que o contexto permita identificar o sujeito;quando um verbo está na 3.ª pessoa do singular acompanhado do pronome (se);quando o verbo está no infinitivo pessoal.Sujeito inexistente

A oração sem sujeito ocorre quando a informação veiculada pelo predicado está centrada em um verbo impessoal. Por isso, não há relação entre sujeito e verbo.

Exemplo:

Choveu muito em Manaus.
Predicado: Choveu muito em Manaus

Para saber mais sobre os tipos de sujeito, veja também: Tipos de sujeito.

Predicado

O predicado pode ser verbal, nominal ou verbo-nominal.

Predicado Verbal

O predicado verbal ocorre quando o núcleo da informação veiculada pelo predicado está contido em um verbo significativo que pode ser transitivo ou intransitivo. Nesse caso, a informação sobre o sujeito está contida nos verbos.

Exemplo:

O entregador chegou.
Predicado verbal: chegou.

Predicado Nominal

O predicado nominal é formado por um verbo de ligação + predicativo do sujeito.

Exemplo:

O entregador está atrasado.
Predicado nominal: está atrasado.

Predicado Verbo-nominal

O predicado verbo-nominal apresenta dois núcleos: o verbo transitivo ou intransitivo + o predicativo do sujeito ou predicativo do objeto.

Exemplo:

A menina chegou ofegante à ginástica.
Sujeito: A menina
Predicado verbo-nominal: chegou ofegante à ginástica.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Questões Batman


Questões Batman 

1 - O que você achou do gibi e das histórias nele ? Qual foi a sua história favorita ? Por quê ? Já tinha lido um gibi deste estilo ?

2 - Qual foi o seu personagem favorito ? Descreva-o em detalhes. Qual o motivo da sua escolha ?

3 - Qual foi a sua cena favorita ? Descreva-a em detalhes. Qual foi o motivo da sua escolha ?

4 - Você concordou com a decisão do Batman sobre o que fazer com o Crocodilo ? Explique o seu ponto de vista.

5 - Na sua opinião, o Crocodilo é vítima ou vilão ? Explique o seu ponto de vista.

6 - O que você achou desta atividade ? O que você achou do material utilizado , das questões levantadas ? Você tem alguma sugestão para próximas atividades ?

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Projeto Photograph - Express Yourself - Avaliação

Projeto Photograph - Express Yourself - Avaliação

      O projeto de língua inglesa, que envolvia os primeiros e segundos anos do ensino médio do período da manhã da E.E. Profª Marlene Camargo Ribeiro, tem por objetivo que os alunos criem ou utilizem fotografias do seu passado a partir de letras de músicas de seu gosto particular e expressem momentos ou opiniões pessoais sobre o mundo que os cerca utilizando a língua inglesa como meio de comunicação.
        Os alunos tinham que escolher uma música em inglês, independente de estilo musical, fazer uma biografia do artista que a interpreta e um texto explicando o motivo de tê-la escolhido, tudo em inglês.
       Depois tinham que representar a música por meio de uma foto , podia ser uma antiga ou atual, eles obrigatoriamente apareceriam na mesma e deviam colocar um trecho da música como legenda nela que resumisse a ideia dela.
       Não poderia ter apologias a drogas, violência, preconceitos de qualquer espécie e fotos que expusessem os alunos ao constrangimento.As fotos deveriam ser expostas em uma folha A4 , que poderia ser decorada se o aluno assim o desejasse, e  tinham que vir em um saquinho plástico para a realização da exposição delas no pátio da escola.
      O resultado do trabalho foi excelente, apesar de trinta por cento alunos não o terem entregado, sendo que o 1ºF apresentou uma alarmante abstenção de oitenta por cento, e cerca de vinte e cinco por cento dos trabalhos que recebi tinham problemas na apresentação em relação aos critérios propostos como biografias em português, justificativas da escolha da música em português, falta de ambos os itens, fotos fora das especificações ou trabalhos sem a foto.
       Os temas escolhidos por eles variaram entre homenagens aos pais e família, fotos de casais de namorados, e , como um reflexo dos tempos atuais, "selfies" como forma de expressar suas visões sobre a sociedade com frases individualistas nas suas legendas revelando um caráter bem específico dessa faixa etária que é a busca da sua identidade.A curiosidade é que a música mais escolhida foi , coincidentemente, Photograph do cantor Ed Sheeran com vinte e oito trabalhos feitos a partir dela,
        Muitos alunos depois da exposição vieram me contar que ficaram orgulhosos dos seus trabalhos e de seus colegas e outros que ao verem os demais trabalhos os teriam realizado de modo diferente por terem novas perspectivas de como fazê-los a partir das ideias dos seus colegas.Nas autoavaliações do ano também apareceu como um item recorrente por parte dos alunos esse trabalho como um dos favoritos nos propostos durante o ano.
       Por isso considero satisfatório o resultado obtido com o projeto, sendo que não houve problemas no seu processo de realização. Agradeço a colaboração dos alunos,pais, equipe de coordenação e direção na elaboração e concretização dele

Profº Luís Antônio Roder

Projeto Minha HQ: Um Conto de Fadas da Vida Real - Avaliação

Projeto Minha HQ: Um Conto de Fadas da Vida Real
Avaliação
O trabalho Minha HQ desenvolvido pelos oitavos anos A/B/C/D na E.E. Profº Luís Washington Vita já constava no planejamento das aulas de língua portuguesa do terceiro bimestre, mas a partir das necessidades detectadas durante os dois primeiros bimestres, por meio de redações, interpretações de texto e conversas na sala de aula vimos a necessidade de desenvolvermos o tema Um Conto de Fadas da Vida Real ,
Ele tinha por objetivo discutir questões que apareceram nos textos dos alunos, assim como situações vivenciadas pelos próprios, trazidas de forma direta e indireta, que envolviam o "bullying", violência doméstica, uso de drogas e vícios em geral e situações políticas que ficaram evidentes em função da sua repercussão durante o ano.
Os alunos se mostraram interessados e muito animados com a proposta do trabalho, principalmente com a ideia de trabalhar com a releitura dos contos de fadas nessa ótica das realidades vivenciadas por eles.
As disciplinas de arte e língua portuguesa decidiram de modo interdisciplinar discutir estes temas utilizando as histórias dos contos de fadas, para aliviar a densidade dos mesmos, fazendo uma releitura deles, mas trazendo com eles temas atuais, como os anteriormente citados.
Como já tinham trabalhado com a interpretação de texto de uma história em quadrinhos do Batman no primeiro bimestre, todos já estavam familiarizados com este tipo de linguagem. Porém mesmo assim eles tiveram uma aula de língua portuguesa para se familiarizarem com quadrinhos dos mais diversos tipos e tiveram uma aula específica sobre diagramação, que é a técnica de como formatar uma página e das diversas possibilidades de como isso pode ser feito, nessa aula foram trazidos cerca de sessenta revistas em quadrinhos da coleção pessoal do professor, separadas especificamente para este tipo de atividade, abordando as mais diferentes técnicas de pintura, diagramação, colorização, texturas e contextos, tais como quadrinhos americanos e mangás, para que o repertório deles na elaboração e desenvolvimento dos trabalhos fosse o mais amplo possível.
Na segunda etapa do trabalho, depois de formarem os grupos com no máximo três alunos cada, eles tiveram seis aulas de arte para fazerem os rascunhos e adiantarem o máximo possível os seus projetos. Como tinham liberdade total na escolha das técnicas, muitos experimentaram vários conceitos e ideias, mas no final, a maioria optou pelas formas tradicionais de representar os quadrinhos, sendo que apenas três grupos utilizaram a técnica da fotonovela. Houve problemas com o prazo de entrega, um problema recorrente nesta faixa etária durante todo o ano em praticamente todas as disciplinas, pois mesmo tendo as aulas de arte para desenvolverem os seus projetos, a maioria deixou para finalizá-los na última hora e isso afetou a qualidade de muitos trabalhos que foram entregues sem arte final ou os requisitos exigidos na proposta inicial do mesmo e disponíveis no blog do professor de língua portuguesa no caso de eventuais dúvidas.
A escolha preferida nos temas foi o "bullying" entre alunos ou jovens, sempre com o protagonista fazendo um reflexão final de que isso é ruim, porém em dois casos a vingança e a punição de quem pratica o ato do ataque aponta uma preocupação de um trabalho posterior nesse sentido afim de evitar retaliações no conceito de como eles pensam que devam lidar com essas situações. Em segundo lugar vieram preocupações com as drogas, sem nenhum dos trabalhos fazerem apologia às mesmas, o que muitas vezes acaba acontecendo de forma indireta nesse tipo de abordagem desse tema. Houve duas bem interessantes que discutiram a política brasileira fazendo a abordagem do impeachment da presidente e outra sobre política mundial e duas sobre violência doméstica.
A criatividade das ideias surpreendeu com algumas histórias muito bem desenvolvidas e seguindo a proposta da releitura dos contos de fadas, cerca de quarenta por cento dos trabalhos entregues cumpriram integralmente o que foi pedido com muita qualidade e capricho , outros vinte por cento apenas fizeram referências superficiais aos contos de fadas e desviaram bastante da proposta feita e dez por cento totalmente fora do contexto e sem conexão nenhuma com o que foi proposto. Um dado negativo foi que trinta por cento do total de alunos não entregou o trabalho e isso tem sido uma constante em qualquer tipo de atividade, onde fica claro que a falta de incentivo ou acompanhamento por parte dos pais tem atrapalhado muito o desenvolvimento dos alunos por mais que tentemos um trabalho diferenciado utilizando as mais diversas linguagens e formas de expressão e conversa com os mesmos nas reuniões de pais e convocações específicas. Mas o mais importante de tudo foi a reflexão feita nas avaliações dos grupos da importância de discutir tais temas e de como cada grupo desenvolveu e dividiu as tarefas e a maturidade em avaliá-las e mostrarem seu entendimento no desenvolvimento do trabalho.
Falta apenas a exposição das histórias em quadrinhos no pátio da escola, que será feita depois do segundo turno das eleições, para termos o retorno de como a comunidade escolar e os demais alunos reagirão à proposta do trabalho e avaliarmos os seus resultados posteriores.
O saldo do projeto foi positivo, mostrando que o objetivo inicial do mesmo foi amplamente alcançado, mas apontando novas questões que devem ser abordadas no desenrolar dos trabalhos vindouros como a questão da vingança no "bullying" e não o entendimento de que a violência não é uma forma de resolução de problemas, mas sim a compreensão de como o mesmo afeta quem sofre esse tipo de perseguição e preconceito e finalmente a necessidade de um trabalho de engajamento dos pais dos alunos que não se envolveram neste projeto e em outras atividades desenvolvidas durante o ano, para que exista um trabalho cooperativo entre escola e pais no sentido de criarmos um ambiente favorável no desenvolvimento dos educandos e da sua autoestima.

Profº Luís Antônio Roder

Projeto Fotonovela 2016 - Avaliação

Projeto Fotonovela 2016 - Avaliação

      O projeto de língua inglesa, que envolvia os primeiros e segundos anos do ensino médio da E.E. Profª Marlene Camargo Ribeiro, tem por objetivo que os alunos criem fotonovelas em inglês em que utilizarão a linguagem visual para construírem uma narrativa de tema livre e expressarem os seus gostos e anseios pessoais por meio delas.
     O trabalho envolvia duas etapas distintas, a primeira, que aconteceu no segundo bimestre, era a formação dos grupos e elaboração do "story board" da história, ou seja , um rascunho do texto para correção e de como as fotografias ficariam dispostas, assim como o conteúdo temático da história para a apreciação e aprovação do professor para que o mesmo fosse continuado no terceiro bimestre, onde seria a segunda etapa que residia na entrega da fotonovela finalizada.
        Os critérios eram que as fotos deveriam ser feitas pelos alunos, sem a obrigatoriedade de aparecerem nelas, pois podiam contar com participações especiais de amigos e familiares e aqueles que não aparecessem nas fotos poderiam desempenhar tarefas na parte de produção, maquiagem, figurino, fotografia e edição da fotonovela.
      Os grupos poderiam ter no máximo cinco integrantes e serem mistos com alunos de outras séries, por exemplo um aluno do primeiro A , um aluno do segundo B , um aluno do primeiro D, um aluno do segundo C e outro do primeiro B.
As fotos poderiam ser coloridas ou em preto e branco e também poderiam ter recursos de efeitos digitais como photoshop ou outros editores digitais.As histórias não poderiam ter apologias a drogas, violência, preconceitos de qualquer espécie e que expusessem os alunos de qualquer forma pejorativa.
    Elas deveriam ser entregues em duas cópias, sendo que uma delas ensacadas individualmente para a posterior exposição delas no pátio da escola, além de um "making of" explicando o processo de elaboração e realização do trabalho e a participação de cada um nele, essa avaliação poderia ser entregue de três formas: vídeo, texto de cinquenta linhas ou uma revistinha com fotos dos bastidores e curiosidades do mesmo, além da avaliação do grupo.
      Na fase do "story board" cerca de setenta e cinco por cento alunos entregaram os trabalhos e muitos deles, cerca de oitenta por cento, estavam dentro dos requisitos propostos, cerca de quarenta por cento tiveram que ter o texto corrigido em apenas algumas partes, quarenta por cento estavam completamente corretos e os demais vinte por cento precisam de grandes correções.Em relação aos temas abordados, apenas duas histórias estavam fora dos requisitos pois faziam apologia a drogas e violência e outra tinha uma conotação de preconceito de gênero e opção sexual, sendo que conversei com os grupos e expliquei os motivos pelos quais ambas precisavam ser revistas e assim os foram.
       Os trabalhos entregues na segunda fase chegaram a sessenta e cinco por cento dos alunos envolvidos, sendo que o 1ºF apresentou a assustadora marca de noventa por cento de abstenção, muitos mudaram as histórias e outros grupos mudaram de integrantes, seja por motivos de transferências ou os famosos desentendimentos durante a elaboração dos mesmos.
      Houve uma mudança de cerca de trinta por cento dos trabalhos em seus textos ou histórias originais, os temas variaram entre histórias de terror e suspense, em grande parte por poderem utilizar efeitos especiais como sangue de mentira e representarem as séries de televisão que eles tanto apreciam, teve uma história do 2ºA muito interessante envolvendo os pensadores e suas diferentes e antagônicas correntes de pensamento, outras sobre amor e relacionamentos, mas uma grande parte delas, cerca de quarenta por cento, envolvendo "bullying" ou qualquer tipo de perseguição social revelando um problema a ser novamente abordado e retomado pelo escola.
      Infelizmente alguns grupos não se atentaram integralmente às correções feitas nos seus textos e os entregaram com erros, porém a qualidade da execução visual de muitas histórias superou novamente as expectativas e mostrou grande criatividade por parte dos alunos, isso foi ajudado por eles terem tido acesso às fotonovelas feitas em anos anteriores, assim como a aula de diagramação realizada no terceiro bimestre com diversos tipos de revistas em quadrinhos para terem uma dimensão mais ampliada de como os trabalhos poderiam ser produzidos.
       Muitos alunos citaram nas suas autoavaliações do quarto bimestre como gostaram e ficaram satisfeitos com seus trabalhos da fotonovela, nos "making of"s as avaliações foram produtivas e também apontaram essa satisfação com o resultado dos trabalhos, além de contarem as curiosidades de como foram feitos, como no caso das meninas que foram fotografar em um supermercado e todos ficaram olhando para elas enquanto tiravam fotos lá.
       O resultado do trabalho foi satisfatório, pois aponta um problema em relação ao índice de entrega de trabalhos que precisa ser melhorado substancialmente, mas mostrou um comprometimento muito grande deles com o que foi proposto.Outro ponto a ser retomado é a questão da contínua discussão sobre o "bullying" que apareceu como uma necessidade de modo direto e indireto nas histórias.
       Agradeço a colaboração dos alunos, pais, equipe de coordenação e direção escolar na elaboração e concretização desse projeto.

Profº Luís Antônio Roder