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domingo, 28 de junho de 2020

Texto dissertativo-argumentativo

Texto dissertativo-argumentativo


Características

As principais características do texto dissertativo-argumentativo são:
  • Presença de uma tese (ponto de vista) – em geral, no primeiro parágrafo do texto;
  • Desenvolvimento com argumentos que comprovem a tese;
  • Conclusão em forma de síntese ou com propostas de solução para os problemas discutidos no texto;
  • Uso da norma-padrão da língua portuguesa.

Estrutura

O texto dissertativo-argumentativo tem sua estrutura dividida em três – introdução, argumentação e conclusão – e cada uma delas tem suas particularidades, conforme explicaremos a seguir:
  • Introdução

O primeiro parágrafo do texto dissertativo-argumentativo deve conter duas partes – a apresentação do tema e a explicitação da tese.

Por exemplo, acerca do assunto “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, uma tese possível seria “o preconceito contra as religiões de matriz africana dificulta o combate à intolerância religiosa no Brasil.”
  • Argumentação

Os parágrafos intermediários das dissertações escolares são reservados para a comprovação da tese apresentada na introdução. Um argumento é composto duas partes: a fundamentação e a análise do fundamento.
Na fundamentação, o autor deve buscar provas de que seu ponto de vista está correto. São considerados fundamentos citações de autoridade, referências históricas, conceitos teóricos consagrados, notícias publicadas em jornais de qualidade, etc.
Na análise do fundamento, o redator deve explicitamente demonstrar qual é a relação entre a prova levantada e a tese proposta. Um exemplo de argumento para a tese escrita alguns parágrafos acima seria:
Segundo a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro, 70% de 1.014 casos de ofensas, abusos e atos violentos registrados no Estado entre 2012 e 2015 são contra praticantes de religiões de matrizes africanas. Esse dado alarmante comprova que o racismo estrutural brasileiro, advindo da herança escravocrata do país, é um dos fatores que mais dificultam o combate à intolerância religiosa no Brasil.

  • Conclusão

O último parágrafo do texto dissertativo-argumentativo pode ser feito de duas maneiras: em forma de síntese ou com proposta de solução.
No caso da síntese, o autor deve resumir os argumentos e repetir sua tese, concluindo o raciocínio construído desde a introdução.
No caso da conclusão com proposta de solução, é preciso que o redator apresente soluções práticas e detalhadas acerca dos problemas levantados no texto. Se, por exemplo, o problema discutido na argumentação foi o preconceito contra religiões de matriz africana, a solução deve ser direcionada a essa questão. Uma proposta detalhada, é importante ressaltar, deve determinar:
  1. Agentes (quem executará);
  2. Ações (o que será feito);
  3. Meios (como a solução será produzida);
  4. Efeitos (o que gerará a aplicação da solução).
Portanto, sugerir que o Ministério da Educação (agente) produza materiais publicitários combatendo o preconceito contra religiões de matriz africana (ação) por meio de TVs, rádios, jornais e redes sociais (meio) para que os índices de violência contra centros religiosos afros diminuam (consequência) seria uma boa proposta de solução para o Enem.

Exemplo de texto dissertativo-argumentativo

Veja, a seguir, um exemplo de dissertação nota mil na prova no Enem de 2017, cujo tema solicitado foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”:
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos deficientes auditivos brasileiros, os quais buscam ultrapassar as barreiras as quais os separam do direito à educação. Nesse contexto, não há dúvidas de que a formação educacional de surdos é um desafio no Brasil o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade.
A Constituição cidadã de 1988 garante educação inclusiva de qualidade aos deficientes, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro "Ética a Nicômaco", a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta não apenas da educação inclusiva, como também da preparação do número suficiente de professores especializados no cuidado com surdos não está presente em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos deficientes auditivos nas escolas. Tristemente, a existência da discriminação contra surdos é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras à formação educacional de surdos.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos surdos. - uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador - a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral - por conseguinte - conscientizem-se. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.
Isabella Barros Castelo Branco, do Piauí.

Plano de texto: como fazer um texto dissertativo-argumentativo passo a passo

Para produzir uma boa redação dissertativo-argumentativa, é fundamental, antes de tudo, fazer um bom projeto de texto. Para tanto, basta que o escritor escreva e preencha, em folha à parte, os seguintes tópicos:
  • Tema: escreva a frase temática inteira, não a resuma aqui.
  • Tese: nesse espaço, escreva qual será o ponto de vista defendido no texto.
  • Argumentos: elenque quais serão os fundamentos usados em cada argumento – é importante que a dissertação contenha, ao menos, dois argumentos. Em seguida, explicite como cada fundamento comprova a tese acima citada.
  • Propostas de solução: no caso do Enem, é necessário produzir sugestões para diminuir ou acabar com os problemas discutidos no texto. Portanto, nesse espaço, apresente essas soluções, detalhando as ações, os agentes, os meios e as consequências para cada solução.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Malvado? Malvado foi o ano letivo que voou.

Texto feito por uma aluna que me emocionou profundamente!

Obrigado Karoliny Monike!


Malvado? Malvado foi o ano letivo que voou.

To postando isso bem tarde, já está terminando o dia, e daqui a uns minutos já vai ser amanhã. O motivo é que hoje meu dia foi cheio, pois eu e meu pai fomos passear 
Mas hoje é (foi kkk) o dia do aniversário de uma pessoa especial. Eu ia colocar isso aqui no Facebook no início do ano que vem, mas como o aniversário dele é pertinho, quero dar um recado aos alunos do Vita que estudam na sexta série, ou até na quinta também, se estiverem na escola ainda. 
Vocês terão uma oportunidade entre poucas na vida.
De conviver com alguém que fará falta quando o ano acabar. 
Ele nunca levantou a voz ou perdeu a cabeça enquanto trabalhava. 
Certa vez eu tive uma dúvida que ele não soube responder, então ele pegou o celular e pesquisou no google. Quando um professor fez isso com você?
Se desculpa quando passa dos limites nas brincadeiras, e toma o máximo de cuidado para não nos desrespeitar. 
E respeita tanto que não nos trata como crianças burras ou como adultos e isso não somos ainda.
E quando ele lhe passar mais 20 ou 50 linhas de redação ou castigo, ele está te preparando para ser adulto, pois o mundo não é fácil, exige disciplina, e nem todo chefe que teremos ao trabalhar no futuro será bonzinho como ele. 
Aí você responde, mas Karoliny, os chefes são chatos às vezes, mas aguentando eles recebemos pagamento, com o Luis Roder não. 
Aí vc se engana! Está ganhando uma oportunidade exclusiva, de aprender consigo mesmo e tirar várias dúvidas. 
Quando um cara consegue respeito sem gritar e tornar o seu espaço de trabalho civilizado somente aparecendo na frente das pessoas, você precisa enchergar quem teve sorte de conhecer.


23:49 de 7/10 e.e kkk

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Poemas Língua POrtuguesa

Epigrama No. 8

 Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.

Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar, quando caí.

( Cecília Meireles )



Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

( Manuel Bandeira )



ENTRE

Entre a coisa e o nome, a coisa
Entre o vinho e a taça, o vinho
Entre a boca e o batom, a boca
Entre a mão e a luva, a mão
Entre o pé e o salto, o pé
Entre a pele e o pano, a pele

Entre nós, nada

( Chagall )



Não Te Amo Como Se Fosses A Rosa de Sal

Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


(Pablo Neruda)



 Já Não Se Encantarão Meus Olhos Em Teus Olhos

Já não se encantarão meus olhos em teus olhos
Já não se achará doce minha dor ao teu lado
Mas por onde eu caminhe levarei teu olhar
E para onde tu fores levarás minha dor.

Fui teu, foste minha. Que mais? Juntos  fizemos
Um desvio na rota por onde amor passou
Fui teu, foste minha Tu serás de quem te ame,
Do que corte em teu horto aquilo que eu plantei.
Eu me vou. Estou triste. Mas eu sempre estou triste
Eu venho dos teus braços. Não sei para onde vou
... Desce teu coração diz adeus um menino
E eu lhe digo adeus.

( Pablo Neruda, in Crespulário )



“O lunático, o apaixonado e o poeta
Têm todos grande imaginação
Um, vê mais demônios que pode conter
O vasto inferno;
Este é o lunático; o apaixonado,
Igualmente frenético, vê a beleza
De Helena numa fronte egípcia;
Os olhos do poeta, movendo-se em exaltação,
Olham do céu para a terra, da terra para o céu
E, à medida que a imaginação dá substância
Às formas de coisas desconhecidas, a pena
Do poeta as transforma em figuras
E dá ao etéreo nada uma habitação e um nome
São tais os enganos da imaginação.
Que ao apreender alguma alegria
Compreende um portador desse júbilo;
Ou à noite, imaginando algum temor
Quão fácil é tomar um arbusto por um urso!”

( William Shakespeare )



VERSOS ÍNTIMOS

Vês ?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável !

Acostuma-te à lama que te espera !
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro !
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija !

(AUGUSTO DOS ANJOS)



PEQUENO POEMA DIDÁTICO

O tempo é indivisível. Dize,
Qual o sentido do calendário?
Tombam as folhas e fica a árvore,
Contra o vento incerto e vário.

A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconsequente conversa

Todos os poemas são um mesmo poema,
Todos os porres são o mesmo porre,
Não é de uma vez que se morre...
Todas as horas são horas extremas!
Todos os encontros são adeuses...

(MÁRIO QUINTANA)



DA DISCRIÇÃO

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...

(Mário Quintana)



Dogma E Ritual

Os dogmas assustam como trovões
e que medo de errar a sequência dos ritos!
Em compensação,
Deus é mais simples do que as religiões.

(Mário Quintana)



O Autorretrato

No retrato que me faço
-traço a traço-
às vezes me pinto nuvem...
às vezes me pinto árvore.

Às vezes me pinto coisas
De que nem há mais lembrança...
Ou coisas que não existem
Mas que um dia existirão...

E ,desta lida, em que busco
-pouco a pouco-
minha eterna semelhança...

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

(Mário Quintana)



O HOMEM NO ESPELHO

Por acaso, surpreendo-me  no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus, meu Deus...Parece
Meu velho pai – que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar – duro – interroga:
“O que fizeste de mim?!”
Eu, pai?!Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa?!Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil guerra! –
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...

( Mário Quintana, in A Cor do Invisível )


Céu

A criança olha
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
Quer tocar o céu.

Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quando o tem na mão.

(Manuel Bandeira)



Lua adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha .


Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.


E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

( Cecília Meireles )

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Os Elementos da Narrativa

Os Elementos da Narrativa

Como já vimos anteriormente, a narrativa de ficção é um relato centrado num fato ou acontecimento; há personagens atuando e um narrador que relata a ação. O tempo e o cenário ou ambiente são outros elementos importantes na estrutura da narração. O autor trabalha o conjunto desses elementos no sentido de simular, de fingir uma história que reflita uma dada realidade. O universo da ficção nos apresenta uma realidade que não é verdadeira, mas é possível ser, e por isso a aceitamos como real.

O NARRADOR

O narrador é o dono da voz ou, em outras palavras, a voz que nos conta os fatos e seu desenvolvimento. Dependendo da posição do narrador em relação ao fato narrado, a narrativa pode ser feita em 1ª ou em 3ª pessoa.
Temos assim, o ângulo, o ponto de vista, o foco pelo qual serão narrados os acontecimentos (daí falar-se em foco narrativo).
Na narração em primeira pessoa, o narrador participa dos acontecimentos; é, assim, um personagem com dupla função: o personagem-narrador. Pode ter uma participação secundária nos acontecimentos, destacando-se, desse modo, seu papel de narrador, ou ter importância fundamental, sendo mesmo o personagem principal. Nesse caso, a narração em primeira pessoa permite ao autor penetrar e desvendar com maior riqueza o mundo psicológico do personagem.
É importante observar que, nas narrações em primeira pessoa, nem tudo o que é afirmado pelo narrador corresponde à "verdade", pois, como ele participa dos acontecimentos, tem deles uma visão própria, individual e, portanto, parcial. A principal características desse foco é, então, a visão subjetiva que o narrador tem dos fatos: ele narra apenas o que vê, observa e sente, ou seja, os fatos passam pelo filtro de sua emoção e percepção.
Já nas narrações em terceira pessoa, o narrador está fora dos acontecimentos; podemos dizer que ele paira acima de tudo e de todos. Essa situação lhe permite saber de tudo, do passado e do futuro, das emoções e dos pensamentos dos personagens - daí ser chamado de onisciente (oni + sciente, ou seja, "o que tem ciência de tudo", "o que sabe de tudo"). Repare que o narrador onisciente "lê" os sentimentos, os desejos mais íntimos da personagem (aliás, o narrador vê o que ninguém tem condições de ver: o mundo interior do personagem), e sabe qual será a repercussão desse ato no futuro.

O ENREDO

O enredo (ou trama, ou intriga) é, podemos dizer, o esqueleto da narrativa, aquilo que dá sustentação à história,  ou seja, é o desenrolar dos acontecimentos. Geralmente, o enredo está centrado num conflito, responsável pelo nível de tensão da narrativa. O enredo se organiza em torno de um conflito, ou seja, uma oposição entre os elementos da história e cria no leitor ou ouvinte expectativa em relação aos fatos. O enredo possui as seguintes partes:
Introdução (apresentação): o  narrador costuma apresentar os fatos iniciais, as personagens e, eventualmente, o o tempo e o espaço. A introdução de um texto narrativo é muito importante, porque deve despertar a atenção do leitor e situá-lo diante da história que vai ler.
Complicação (desenvolvimento): é a parte do enredo em que é desenvolvido o conflito. Uma narrativa pode ter mais de um conflito. Em um romance ou novela de Tv, por exemplo, muitos são os conflitos desenvolvidos ao longo da história.
Clímax: é o momento culminante da história, o momento de maior tensão, aquele em que o conflito atinge o seu ponto máximo. O clímax na narrativa deve despertar a curiosidade e atenção do leitor.
Desfecho (desenlace ou conclusão): é a solução do conflito, a parte final: boa, má, surpreendente, trágica, cômica ou feliz.   

AS PERSONAGENS

Os seres que participam do desenrolar dos acontecimentos, isto é, aqueles que vivem o enredo, são os personagens (em português, a palavra personagem tanto pode ser masculina como feminina).
Em geral o personagem bem construído representa uma individualidade, apresentando traços psicológicos próprios. Há também personagens que representam tipos humanos, identificados pela profissão, pelo comportamento, pela classe social, enfim, por algum traço distintivo comum a todos os indivíduos dessa categoria.
Há ainda personagens cujos traços de personalidade ou padrões de comportamento são extremamente acentuados (às vezes beirando o ridículo); nesses casos, muitos comuns, por exemplo, em novelas de televisão, temos personagens caricaturais.

Protagonistas e Antagonistas

Já sabemos que a narrativa, em geral, está centrado num conflito, que pode se dar entre o personagem e o meio físico, ou entre ele e sua consciência, ou entre dois personagens. Como exemplo: dois personagens desempenham o papel de lutadores. Em linguagem popular, temos caracterizados o "mocinho" e o "bandido" (ou, como querem alguns desenhos de televisão, "os do bem" e "os do mal"). Ou ainda, em outros termos, o herói e o vilão. Esses personagens recebem o nome de protagonista e antagonista.
Protagonista: [Do gr. protagonistés, o principal 'ator', ou 'competidor'.] S. 2g. 1. O primeiro ator do drama grego. (...) 2. Teat. e Cin. A personagem de uma peça teatral, de um filme, de um romance, etc. 3. Fig. Pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar num acontecimento.
Antagonista: [Do gr. antagonistés, pelo lat. antagonista.]. Adj. 2 g. 1 Que atua em sentido oposto, opositor, adversário. (...) S. 2g. 4. Pessoa que é contra alguém ou algo, adversário, opositor.
PS: Percebeu? Um é "o principal lutador"; o outro é "o que luta contra".
Uma observação: ao construir uma narrativa, nunca despreze o antagonista; poderíamos até mesmo afirmar que o sucesso de uma narrativa está diretamente ligado à perfeita caracterização desse personagem. Que o digam as novelas de televisão!

O AMBIENTE

Ambiente é o cenário por onde circulam personagens e onde se desenrola o enredo. Em alguns casos, a importância do ambiente é tão fundamental que ele se transforma em personagem. Por exemplo: o Nordeste, em grande parte do romance modernista brasileiro; o colégio interno, em O Ateneu, de Raul Pompéia; o caso mais nítido está em O cortiço, de Aluísio Azevedo.
Observe como sempre há relação estreita entre o personagem, seu comportamento e o ambiente que o cerca; repare como, muitas vezes, por meio dos objetos possuídos podemos fazer um retrato perfeito do possuidor.

O TEMPO

O narrador pode se posicionar de diferentes maneiras em relação ao tempo dos acontecimentos - pode narrar os fatos no tempo em que eles estão acontecendo; pode narrar um fato perfeitamente concluído; pode entremear presente e passado, utilizando a técnica de flash-back.
Há também, o tempo psicológico, que reflete angústias e ansiedades de personagens e que não mantém nenhuma relação com o tempo propriamente dito, cuja passagem é alheia à nossa vontade. Falas como "Ah, o tempo não passa..." ou "Esse minuto não acaba!" refletem o tempo psicológico. Concluindo:É necessário, portanto, mencionar o modo como tudo aconteceu detalhadamente, isto é, de que maneira o fato ocorreu. Um acontecimento pode provocar consequências, as quais devem ser observadas.


Fato - o que se vai narrar (O quê?)
Tempo - quando o fato ocorreu (Quando?)
Lugar - onde o fato se deu (Onde?)
Personagens - quem participou ou observou o ocorrido (Com quem?)
Causa - motivo que determinou a ocorrência (Por quê?)
Modo - como se deu o fato (Como?)
Consequências - Geralmente provoca determinado desfecho.
Após definir os elementos da narrativa, basta organizá-los para elaborar uma narração.



Concursos e as novas regras da Língua Portuguesa


A prova de língua portuguesa está presente na maioria dos concursos e costuma ter um peso considerável. Por isso, fique atento às mudanças e aproveite o período de férias para se atualizar. Para facilitar a vida de quem está correndo contra o tempo, estudando duas regras da língua portuguesa - a atual e a futura - para provas em seleções públicas, é importante organizar o estudo. Confira, a seguir, um apanhado das principais modificações da língua portuguesa:
Acentuação Gráfica

Hiatos ee e oo: eliminou-se o acento circunflexo que se usava na primeira vogal dos hiatos ee e oo. Exemplo: creem, leem, voo.
Trema: foi supimido. Exemplo: frequente, aguentar. É mantido apenas em nomes estrangeiros e derivados. Exemplo: Müller, mülleriano. Também o acento derivado da regra do trema foi abolido. Exemplo: arguem, argui (ele), arguis (tu), averiguem, averigue (ele), averigues (tu).
Ditongos ei e oi: foi eliminado o acento nos ditongos ei e oi de pronúncia aberta, mas apenas nas palavras paroxítonas. Exemplo: geleia, plateia. Nas oxítonas, o acento é mantido. Exemplo: fiéis, hotéis, dói. Também se mantém o acento no ditongo aberto eu. Exemplo: chapéu, ilhéu.
Vogais tônicas i e u: O acento no i e no u tônicos de palavras paroxítonas deixa de ser usado quando precedidos de ditongo. Exemplo: feiura, baiuca. Nas palavras oxítonas, o acento é mantido. Exemplo: Piauí, Jundiaí. O acento também continua sendo usado quando essas vogais não são precedidas de ditongo, independentemente da posição do acento tônico. Exemplo: baú, aí, saída, conteúdo.
Acentos diferenciais: não se usam mais os acentos diferenciais em palavras paroxítonas que haviam sido preservados pela reforma de 1971. Exemplo: para (verbo), pelo, pelas (verbo), pelo (substantivo), pera (fruta), pera (pedra), Pero (Pedro), pola, pols, polo, polos (substantivos), coa, coas (verbo). O Acordo, no entanto, manteve o acento diferencial nas palavras pôr (verbo) e pôde (3ª pessoa do singular do pretérito do indicativo). Além disso, introduziu, opcionalmente, o acento no substantivo fôrma, para diferenciar de forma.

Emprego do Hífen

Enquanto na acentuação gráfica ocorreu apenas a eliminação de acentos, com relação ao emprego do hífen, o Acordo retirou o hífen em muitas palavras e introduziu-o em outras.
Em palavras compostas
Com respeito às palavras compostas, manteve-se inteiramente o princípio que orienta o uso do hífen (marcar mudança no significado). Exemplo: laranja-do-céu, mão-de-obra. O Acordo faz apenas um pequeno ajuste: elimina-se o hífen em compostos que perderam a noção de composição, como ocorre em paraquedas e parquedista. Devido à relatividade da norma, é necessário aguardar o vocabulário oficial da Academia Brasileira de Letras.
Em palavras prefixadas
A principal modificação introduzida pelo Acordo nesta questão da grafia é a unificação da norma, que passa a ser aplicada uniformemente ao verdadeiros prefixos (intra, ante, anti, sub, super, pré, ...) e aos falsos prefixos (agro aero, micro, macro, mini, mono, eletro, ...), passando a se empregar obrigatoriamente o hífen nos seguintes casos:
a) Sempre que o segundo elemento começar por h. Exemplo: anti-higiênico, eletro-hidráulico.
b) Quando o primeiro elemento termina na mesma vogal com que se inicia o segundo. Exemplo: anti-inflamatório, contra-atacar.
Além dessas normas, devem-se observar também as seguintes:
a) Se o segundo elemento começar por vogal que não a final do prefixo, aglutinam-se os dois elementos. Exemplo: antiaéreo, extraescolar, neoescolástico, aeroespacial.
b) Quando aos prefixos terminados em vogal seguir elemento iniciado por r e s, estas letras devem ser dobradas. Exemplo antirreligioso, minirreforma, extrarregular, minissaia.
c) Os prefixos circum, pan, hiper, inter, super, ex (quando indica estado anterior), sota, soto, vice, vizo, pós, pré, e pró requerem hífen em outros casos, mantendo-se as regras em vigor antes do Acordo. Exemplo: circum-navegar, inter-relacionar, pré-natal, pan-americano.
d) Mantém-se a grafia sem hífen com os prefixos des, in, re, trans, entre outros de uso já consagrado. Exemplo: deserdar, inabilitar, reequilibrar, transoceânico.

e) Com relação ao prefixo sub, como se deduz da leitura atenta da base XVI do Acordo, em que pese interpretação contrária de algumas publicações, não se usa mais hifen quando a palavra que se segue inicia por r. Exemplo: subreino, subregra. Por extensão, a mesma regra se aplica aos demais prefixos terminados em b e d. Exemplo: abrogar, sobroda, adrogar.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

AO LOBO COM CARINHO




AO LOBO COM CARINHO


Um lobo que esqueceu de atacar há muito tempo

entre galhos e arbustos procura o seu lugar.


Até que encontra cordeiros recém criados do mundo dispostos à aprender

ensiná-los , ou os comer?

 
Aprender

 
Cordeiros perdidos, que não se iludiram com a "realidade"

E juntos, insaciavéis, desejam caçar

em meio à floresta densa,

encontraram alguns livros e liras indefesos

e se surpreeeram ao ver as páginas os atacar.


Vorazes e incansáveis as palavras absorviam

Fascinados com toda sabedoria de tal ser

rastejaram, murmuraram de dor,

sem terem levado um golpe.


Ao se depararem com tamanho horror da humanidade

O lobo os acorda, os desperta

Com suas palavras de sábio poeta

os manda correr.


Com tanta loucura e mentira escrita nos livros

o lobo quis ensinar por si só a vida

não valia mais a inteligência

mas agora a sabedoria

era disso que os cordeiros precisavam.


Os sentimentos oprimidos e aprisionados

Precisavam de libertação, e um pouco de alegria

O Lobo os libertou através das palavras

Puras, únicas e impensadas que os entresteciam

eram desconhecidas

coisa que só lobo entendia


De predador o lobo não tinha nada

Fez dos pequenos verbos e versos escadas

Pra consolar os pequenos cordeiros,

e transforma-los em apaixonados.


Os fez esquecer do que era o amor dos homens,

os ensinou o amor verdadeiro

o instinto, a ferocidade, a pureza dos estrofes...


E quando mais se interessaram pelo ensino

o lobo os abandonou,

para aprenderem o resto sozinhos.


Pois confiou na maturidade dos pequenos

Mas costuma sempre os acompanhar ao longe

como o pai que não os criou

mas os ensinou

como crescerem sozinhos.


E em resposta os pequenos

Escrevem esse singelo poema

Para aquele que os guiou

De modo incondicional


à ensinarem outros pequenos cordeiros

a nao se conformarem com essa realidade imposta

a criarem sua própria realidade

e assim seguirem em frente, fortes.


Escrevendo seus próprios passos,

Trilhando seus caminhos paralelamente,

mesmo assim distantes,


Mas unidos por algo que nem eles sabiam,

algo que os tornavam especiais,

e comuns a todos.


Era a vontade de aprender,

enquanto ensinavam.


( Bob Jester & Mila Knox )