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terça-feira, 21 de julho de 2020

Os Elementos da Narrativa

Os Elementos da Narrativa

Como já vimos anteriormente, a narrativa de ficção é um relato centrado num fato ou acontecimento; há personagens atuando e um narrador que relata a ação. O tempo e o cenário ou ambiente são outros elementos importantes na estrutura da narração. O autor trabalha o conjunto desses elementos no sentido de simular, de fingir uma história que reflita uma dada realidade. O universo da ficção nos apresenta uma realidade que não é verdadeira, mas é possível ser, e por isso a aceitamos como real.

O NARRADOR

O narrador é o dono da voz ou, em outras palavras, a voz que nos conta os fatos e seu desenvolvimento. Dependendo da posição do narrador em relação ao fato narrado, a narrativa pode ser feita em 1ª ou em 3ª pessoa.
Temos assim, o ângulo, o ponto de vista, o foco pelo qual serão narrados os acontecimentos (daí falar-se em foco narrativo).
Na narração em primeira pessoa, o narrador participa dos acontecimentos; é, assim, um personagem com dupla função: o personagem-narrador. Pode ter uma participação secundária nos acontecimentos, destacando-se, desse modo, seu papel de narrador, ou ter importância fundamental, sendo mesmo o personagem principal. Nesse caso, a narração em primeira pessoa permite ao autor penetrar e desvendar com maior riqueza o mundo psicológico do personagem.
É importante observar que, nas narrações em primeira pessoa, nem tudo o que é afirmado pelo narrador corresponde à "verdade", pois, como ele participa dos acontecimentos, tem deles uma visão própria, individual e, portanto, parcial. A principal características desse foco é, então, a visão subjetiva que o narrador tem dos fatos: ele narra apenas o que vê, observa e sente, ou seja, os fatos passam pelo filtro de sua emoção e percepção.
Já nas narrações em terceira pessoa, o narrador está fora dos acontecimentos; podemos dizer que ele paira acima de tudo e de todos. Essa situação lhe permite saber de tudo, do passado e do futuro, das emoções e dos pensamentos dos personagens - daí ser chamado de onisciente (oni + sciente, ou seja, "o que tem ciência de tudo", "o que sabe de tudo"). Repare que o narrador onisciente "lê" os sentimentos, os desejos mais íntimos da personagem (aliás, o narrador vê o que ninguém tem condições de ver: o mundo interior do personagem), e sabe qual será a repercussão desse ato no futuro.

O ENREDO

O enredo (ou trama, ou intriga) é, podemos dizer, o esqueleto da narrativa, aquilo que dá sustentação à história,  ou seja, é o desenrolar dos acontecimentos. Geralmente, o enredo está centrado num conflito, responsável pelo nível de tensão da narrativa. O enredo se organiza em torno de um conflito, ou seja, uma oposição entre os elementos da história e cria no leitor ou ouvinte expectativa em relação aos fatos. O enredo possui as seguintes partes:
Introdução (apresentação): o  narrador costuma apresentar os fatos iniciais, as personagens e, eventualmente, o o tempo e o espaço. A introdução de um texto narrativo é muito importante, porque deve despertar a atenção do leitor e situá-lo diante da história que vai ler.
Complicação (desenvolvimento): é a parte do enredo em que é desenvolvido o conflito. Uma narrativa pode ter mais de um conflito. Em um romance ou novela de Tv, por exemplo, muitos são os conflitos desenvolvidos ao longo da história.
Clímax: é o momento culminante da história, o momento de maior tensão, aquele em que o conflito atinge o seu ponto máximo. O clímax na narrativa deve despertar a curiosidade e atenção do leitor.
Desfecho (desenlace ou conclusão): é a solução do conflito, a parte final: boa, má, surpreendente, trágica, cômica ou feliz.   

AS PERSONAGENS

Os seres que participam do desenrolar dos acontecimentos, isto é, aqueles que vivem o enredo, são os personagens (em português, a palavra personagem tanto pode ser masculina como feminina).
Em geral o personagem bem construído representa uma individualidade, apresentando traços psicológicos próprios. Há também personagens que representam tipos humanos, identificados pela profissão, pelo comportamento, pela classe social, enfim, por algum traço distintivo comum a todos os indivíduos dessa categoria.
Há ainda personagens cujos traços de personalidade ou padrões de comportamento são extremamente acentuados (às vezes beirando o ridículo); nesses casos, muitos comuns, por exemplo, em novelas de televisão, temos personagens caricaturais.

Protagonistas e Antagonistas

Já sabemos que a narrativa, em geral, está centrado num conflito, que pode se dar entre o personagem e o meio físico, ou entre ele e sua consciência, ou entre dois personagens. Como exemplo: dois personagens desempenham o papel de lutadores. Em linguagem popular, temos caracterizados o "mocinho" e o "bandido" (ou, como querem alguns desenhos de televisão, "os do bem" e "os do mal"). Ou ainda, em outros termos, o herói e o vilão. Esses personagens recebem o nome de protagonista e antagonista.
Protagonista: [Do gr. protagonistés, o principal 'ator', ou 'competidor'.] S. 2g. 1. O primeiro ator do drama grego. (...) 2. Teat. e Cin. A personagem de uma peça teatral, de um filme, de um romance, etc. 3. Fig. Pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar num acontecimento.
Antagonista: [Do gr. antagonistés, pelo lat. antagonista.]. Adj. 2 g. 1 Que atua em sentido oposto, opositor, adversário. (...) S. 2g. 4. Pessoa que é contra alguém ou algo, adversário, opositor.
PS: Percebeu? Um é "o principal lutador"; o outro é "o que luta contra".
Uma observação: ao construir uma narrativa, nunca despreze o antagonista; poderíamos até mesmo afirmar que o sucesso de uma narrativa está diretamente ligado à perfeita caracterização desse personagem. Que o digam as novelas de televisão!

O AMBIENTE

Ambiente é o cenário por onde circulam personagens e onde se desenrola o enredo. Em alguns casos, a importância do ambiente é tão fundamental que ele se transforma em personagem. Por exemplo: o Nordeste, em grande parte do romance modernista brasileiro; o colégio interno, em O Ateneu, de Raul Pompéia; o caso mais nítido está em O cortiço, de Aluísio Azevedo.
Observe como sempre há relação estreita entre o personagem, seu comportamento e o ambiente que o cerca; repare como, muitas vezes, por meio dos objetos possuídos podemos fazer um retrato perfeito do possuidor.

O TEMPO

O narrador pode se posicionar de diferentes maneiras em relação ao tempo dos acontecimentos - pode narrar os fatos no tempo em que eles estão acontecendo; pode narrar um fato perfeitamente concluído; pode entremear presente e passado, utilizando a técnica de flash-back.
Há também, o tempo psicológico, que reflete angústias e ansiedades de personagens e que não mantém nenhuma relação com o tempo propriamente dito, cuja passagem é alheia à nossa vontade. Falas como "Ah, o tempo não passa..." ou "Esse minuto não acaba!" refletem o tempo psicológico. Concluindo:É necessário, portanto, mencionar o modo como tudo aconteceu detalhadamente, isto é, de que maneira o fato ocorreu. Um acontecimento pode provocar consequências, as quais devem ser observadas.


Fato - o que se vai narrar (O quê?)
Tempo - quando o fato ocorreu (Quando?)
Lugar - onde o fato se deu (Onde?)
Personagens - quem participou ou observou o ocorrido (Com quem?)
Causa - motivo que determinou a ocorrência (Por quê?)
Modo - como se deu o fato (Como?)
Consequências - Geralmente provoca determinado desfecho.
Após definir os elementos da narrativa, basta organizá-los para elaborar uma narração.

domingo, 28 de junho de 2020

Texto dissertativo-argumentativo

Texto dissertativo-argumentativo


Características

As principais características do texto dissertativo-argumentativo são:
  • Presença de uma tese (ponto de vista) – em geral, no primeiro parágrafo do texto;
  • Desenvolvimento com argumentos que comprovem a tese;
  • Conclusão em forma de síntese ou com propostas de solução para os problemas discutidos no texto;
  • Uso da norma-padrão da língua portuguesa.

Estrutura

O texto dissertativo-argumentativo tem sua estrutura dividida em três – introdução, argumentação e conclusão – e cada uma delas tem suas particularidades, conforme explicaremos a seguir:
  • Introdução

O primeiro parágrafo do texto dissertativo-argumentativo deve conter duas partes – a apresentação do tema e a explicitação da tese.

Por exemplo, acerca do assunto “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, uma tese possível seria “o preconceito contra as religiões de matriz africana dificulta o combate à intolerância religiosa no Brasil.”
  • Argumentação

Os parágrafos intermediários das dissertações escolares são reservados para a comprovação da tese apresentada na introdução. Um argumento é composto duas partes: a fundamentação e a análise do fundamento.
Na fundamentação, o autor deve buscar provas de que seu ponto de vista está correto. São considerados fundamentos citações de autoridade, referências históricas, conceitos teóricos consagrados, notícias publicadas em jornais de qualidade, etc.
Na análise do fundamento, o redator deve explicitamente demonstrar qual é a relação entre a prova levantada e a tese proposta. Um exemplo de argumento para a tese escrita alguns parágrafos acima seria:
Segundo a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro, 70% de 1.014 casos de ofensas, abusos e atos violentos registrados no Estado entre 2012 e 2015 são contra praticantes de religiões de matrizes africanas. Esse dado alarmante comprova que o racismo estrutural brasileiro, advindo da herança escravocrata do país, é um dos fatores que mais dificultam o combate à intolerância religiosa no Brasil.

  • Conclusão

O último parágrafo do texto dissertativo-argumentativo pode ser feito de duas maneiras: em forma de síntese ou com proposta de solução.
No caso da síntese, o autor deve resumir os argumentos e repetir sua tese, concluindo o raciocínio construído desde a introdução.
No caso da conclusão com proposta de solução, é preciso que o redator apresente soluções práticas e detalhadas acerca dos problemas levantados no texto. Se, por exemplo, o problema discutido na argumentação foi o preconceito contra religiões de matriz africana, a solução deve ser direcionada a essa questão. Uma proposta detalhada, é importante ressaltar, deve determinar:
  1. Agentes (quem executará);
  2. Ações (o que será feito);
  3. Meios (como a solução será produzida);
  4. Efeitos (o que gerará a aplicação da solução).
Portanto, sugerir que o Ministério da Educação (agente) produza materiais publicitários combatendo o preconceito contra religiões de matriz africana (ação) por meio de TVs, rádios, jornais e redes sociais (meio) para que os índices de violência contra centros religiosos afros diminuam (consequência) seria uma boa proposta de solução para o Enem.

Exemplo de texto dissertativo-argumentativo

Veja, a seguir, um exemplo de dissertação nota mil na prova no Enem de 2017, cujo tema solicitado foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”:
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos deficientes auditivos brasileiros, os quais buscam ultrapassar as barreiras as quais os separam do direito à educação. Nesse contexto, não há dúvidas de que a formação educacional de surdos é um desafio no Brasil o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade.
A Constituição cidadã de 1988 garante educação inclusiva de qualidade aos deficientes, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro "Ética a Nicômaco", a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta não apenas da educação inclusiva, como também da preparação do número suficiente de professores especializados no cuidado com surdos não está presente em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos deficientes auditivos nas escolas. Tristemente, a existência da discriminação contra surdos é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras à formação educacional de surdos.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos surdos. - uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador - a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral - por conseguinte - conscientizem-se. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.
Isabella Barros Castelo Branco, do Piauí.

Plano de texto: como fazer um texto dissertativo-argumentativo passo a passo

Para produzir uma boa redação dissertativo-argumentativa, é fundamental, antes de tudo, fazer um bom projeto de texto. Para tanto, basta que o escritor escreva e preencha, em folha à parte, os seguintes tópicos:
  • Tema: escreva a frase temática inteira, não a resuma aqui.
  • Tese: nesse espaço, escreva qual será o ponto de vista defendido no texto.
  • Argumentos: elenque quais serão os fundamentos usados em cada argumento – é importante que a dissertação contenha, ao menos, dois argumentos. Em seguida, explicite como cada fundamento comprova a tese acima citada.
  • Propostas de solução: no caso do Enem, é necessário produzir sugestões para diminuir ou acabar com os problemas discutidos no texto. Portanto, nesse espaço, apresente essas soluções, detalhando as ações, os agentes, os meios e as consequências para cada solução.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Projeto Minha HQ: Um Conto de Fadas da Vida Real - Avaliação

Projeto Minha HQ: Um Conto de Fadas da Vida Real
Avaliação
O trabalho Minha HQ desenvolvido pelos oitavos anos A/B/C/D na E.E. Profº Luís Washington Vita já constava no planejamento das aulas de língua portuguesa do terceiro bimestre, mas a partir das necessidades detectadas durante os dois primeiros bimestres, por meio de redações, interpretações de texto e conversas na sala de aula vimos a necessidade de desenvolvermos o tema Um Conto de Fadas da Vida Real ,
Ele tinha por objetivo discutir questões que apareceram nos textos dos alunos, assim como situações vivenciadas pelos próprios, trazidas de forma direta e indireta, que envolviam o "bullying", violência doméstica, uso de drogas e vícios em geral e situações políticas que ficaram evidentes em função da sua repercussão durante o ano.
Os alunos se mostraram interessados e muito animados com a proposta do trabalho, principalmente com a ideia de trabalhar com a releitura dos contos de fadas nessa ótica das realidades vivenciadas por eles.
As disciplinas de arte e língua portuguesa decidiram de modo interdisciplinar discutir estes temas utilizando as histórias dos contos de fadas, para aliviar a densidade dos mesmos, fazendo uma releitura deles, mas trazendo com eles temas atuais, como os anteriormente citados.
Como já tinham trabalhado com a interpretação de texto de uma história em quadrinhos do Batman no primeiro bimestre, todos já estavam familiarizados com este tipo de linguagem. Porém mesmo assim eles tiveram uma aula de língua portuguesa para se familiarizarem com quadrinhos dos mais diversos tipos e tiveram uma aula específica sobre diagramação, que é a técnica de como formatar uma página e das diversas possibilidades de como isso pode ser feito, nessa aula foram trazidos cerca de sessenta revistas em quadrinhos da coleção pessoal do professor, separadas especificamente para este tipo de atividade, abordando as mais diferentes técnicas de pintura, diagramação, colorização, texturas e contextos, tais como quadrinhos americanos e mangás, para que o repertório deles na elaboração e desenvolvimento dos trabalhos fosse o mais amplo possível.
Na segunda etapa do trabalho, depois de formarem os grupos com no máximo três alunos cada, eles tiveram seis aulas de arte para fazerem os rascunhos e adiantarem o máximo possível os seus projetos. Como tinham liberdade total na escolha das técnicas, muitos experimentaram vários conceitos e ideias, mas no final, a maioria optou pelas formas tradicionais de representar os quadrinhos, sendo que apenas três grupos utilizaram a técnica da fotonovela. Houve problemas com o prazo de entrega, um problema recorrente nesta faixa etária durante todo o ano em praticamente todas as disciplinas, pois mesmo tendo as aulas de arte para desenvolverem os seus projetos, a maioria deixou para finalizá-los na última hora e isso afetou a qualidade de muitos trabalhos que foram entregues sem arte final ou os requisitos exigidos na proposta inicial do mesmo e disponíveis no blog do professor de língua portuguesa no caso de eventuais dúvidas.
A escolha preferida nos temas foi o "bullying" entre alunos ou jovens, sempre com o protagonista fazendo um reflexão final de que isso é ruim, porém em dois casos a vingança e a punição de quem pratica o ato do ataque aponta uma preocupação de um trabalho posterior nesse sentido afim de evitar retaliações no conceito de como eles pensam que devam lidar com essas situações. Em segundo lugar vieram preocupações com as drogas, sem nenhum dos trabalhos fazerem apologia às mesmas, o que muitas vezes acaba acontecendo de forma indireta nesse tipo de abordagem desse tema. Houve duas bem interessantes que discutiram a política brasileira fazendo a abordagem do impeachment da presidente e outra sobre política mundial e duas sobre violência doméstica.
A criatividade das ideias surpreendeu com algumas histórias muito bem desenvolvidas e seguindo a proposta da releitura dos contos de fadas, cerca de quarenta por cento dos trabalhos entregues cumpriram integralmente o que foi pedido com muita qualidade e capricho , outros vinte por cento apenas fizeram referências superficiais aos contos de fadas e desviaram bastante da proposta feita e dez por cento totalmente fora do contexto e sem conexão nenhuma com o que foi proposto. Um dado negativo foi que trinta por cento do total de alunos não entregou o trabalho e isso tem sido uma constante em qualquer tipo de atividade, onde fica claro que a falta de incentivo ou acompanhamento por parte dos pais tem atrapalhado muito o desenvolvimento dos alunos por mais que tentemos um trabalho diferenciado utilizando as mais diversas linguagens e formas de expressão e conversa com os mesmos nas reuniões de pais e convocações específicas. Mas o mais importante de tudo foi a reflexão feita nas avaliações dos grupos da importância de discutir tais temas e de como cada grupo desenvolveu e dividiu as tarefas e a maturidade em avaliá-las e mostrarem seu entendimento no desenvolvimento do trabalho.
Falta apenas a exposição das histórias em quadrinhos no pátio da escola, que será feita depois do segundo turno das eleições, para termos o retorno de como a comunidade escolar e os demais alunos reagirão à proposta do trabalho e avaliarmos os seus resultados posteriores.
O saldo do projeto foi positivo, mostrando que o objetivo inicial do mesmo foi amplamente alcançado, mas apontando novas questões que devem ser abordadas no desenrolar dos trabalhos vindouros como a questão da vingança no "bullying" e não o entendimento de que a violência não é uma forma de resolução de problemas, mas sim a compreensão de como o mesmo afeta quem sofre esse tipo de perseguição e preconceito e finalmente a necessidade de um trabalho de engajamento dos pais dos alunos que não se envolveram neste projeto e em outras atividades desenvolvidas durante o ano, para que exista um trabalho cooperativo entre escola e pais no sentido de criarmos um ambiente favorável no desenvolvimento dos educandos e da sua autoestima.

Profº Luís Antônio Roder

sábado, 13 de agosto de 2016

Projeto Minha HQ 2016



Projeto Minha HQ 2016

Os alunos dos oitavos anos A/B/C/D da EE Profº Luís Washington Vita deverão criar e produzir uma História em Quadrinhos (H.Q.),para as disciplinas de língua portuguesa e  artes , com liberdade criativa, para desenvolverem a linguagem artística e visual. O trabalho deve  seguir os seguintes critérios:

Quanto À Composição Dos Grupos:

De 1 aluno, o trabalho pode ser realizado individualmente, até 3 membros, em que deve constar na capa do trabalho o que cada um fez na H.Q., por exemplo: arte, roteiro, diagramação, pintura, conceito, revisão, etc.

Critérios De Elaboração:

           O tema é UM CONTO DE FADAS DA VIDA REAL, ou seja, criar um roteiro que explore uma situação atual como dependência química, violência, mundo globalizado, preconceito, etc , utilizando o contexto das histórias dos contos de fadas, fazendo uma adaptação dos mesmos.

              A H.Q. pode ser colorida: giz de cera, lápis de cor, guache, canetinha, etc, ou em preto e branco, neste caso contornada com caneta preta ou nanquim, não podendo ser feito com lápis preto ( grafite ), pois esta técnica cria problemas na digitalização do mesmo. Cada página deve ser em uma folha A4(sulfite), sem dividi-la ao meio, para a posterior digitalização dos trabalhos.

      Ela pode ser feita em arte digital, usando recursos do computador, ou em colagem, usando recortes, neste caso NÃO DEVEM UTILIZAR O RECORTE DE PERSONAGENS JÁ EXISTENTES OU RECORTAR UMA HISTÓRIA JÁ EXISTENTE E REUTILIZÁ-LA NO TRABALHO!

        A história deve ter de 2 páginas , NO MÍNIMO, a 5 páginas , NO MÁXIMO, sendo que estas devem ter margem de 2cm,  as páginas devem ser numeradas de forma clara, deve ter indicação do final da história e ter capa constando a série, os integrantes, com nome completo em ordem alfabética, e seus respectivos números da lista de chamada.

       As histórias deverão ter título, no início, e créditos, no final, esclarecendo o papel de cada um dos envolvidos no trabalho: arte, roteiro, diagramação, pintura, conceito, revisão, etc.

        Os personagens utilizados nas Histórias em Quadrinhos NÃO PODEM ser personagens conhecidos e registrados no mercado, por exemplo: Turma da Mônica, Tio Patinhas, Geraldão, Naruto, etc, porque isso gera um problema em relação aos direitos autorais destes personagens. Eles devem ser criados pelos próprios alunos.



ATENÇÃO: 
OS TRABALHOS NÃO DEVEM SER GRAMPEADOS!!!
OS TRABALHOS DEVEM SER COLOCADOS EM UM SAQUINHO PLÁSTICO INDIVIDUAL PARA CADA FOLHA DA HQ OU ANEXADOS COM UM CLIPES!PARA QUE ELES NÃO SEJAM ESTRAGADOS PARA A EXPOSIÇÃO!

Data Para Entrega Dos Trabalhos: Até 16 de setembro


MAKING OF

         O making of do trabalho com o tema: Nos Bastidores da HQ deverá trazer um relato do grupo sobre os seguintes assuntos:

         De onde surgiu a ideia de fazer a história escolhida e como o trabalho foi dividido;

         Como foi fazer a HQ, contando curiosidades e fatos que marcaram a realização do trabalho;

         Avaliação final do grupo sobre o trabalho realizado e o seu produto final.

O making of pode ser entregue de 3 modos:

Criar um texto de, no mínimo, 30 linhas digitado em fonte 12, seguindo os itens acima citados;

Criar uma revistinha com textos e entrevistas sobre a HQ seguindo os itens acima citados;




    Observação: NÃO ACEITAREI trabalhos entregues por e-mail ou arquivos gravados em CD ou DVD, somente nas especificações acima relacionadas.

    Desejo a todos um bom trabalho, deixo claro que é preciso uma boa organização para que o mesmo aconteça, lembro que este trabalho é complexo, mas que pode ser realizado, como já o foi no ano anterior com excelentes resultados, veja a galeria dos trabalhos do ano anterior aqui mesmo no site para poder ter uma ideia melhor do mesmo.

    Apesar de complexo, acredito que esta proposta é um voto de confiança na capacidade de VOCÊS ALUNOS, pois jamais proporia um trabalho que não pudesse ser concretizado por vocês.
Estarei à disposição dos alunos para eventuais dúvidas.


Professor  Luís Antônio Roder

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Espelho,Espelho Meu




Atividade do filme Espelho,Espelho Meu:



1 - Qual foi a cena que você mais gostou no filme? Descreva-a em detalhes e justifique o motivo da sua escolha.

2 - Qual foi a personagem do filme que você mais gostou? Descreva-a em detalhes e justifique o motivo da sua escolha.

3 - O filme mostra um reino em que a maioria dos governantes pensa apenas no seu próprio bem estar sem se preocupar com o povo,deixando-os na miséria absoluta,como foi visto na história. Essa crítica vale para os dias de hoje? Explique o seu ponto de vista.

4 - Você gosta de contos de fadas? O que você achou da abordagem feita no filme de alguns pontos que são diferentes das histórias habitualmente conhecidas? O que você achou do filme tratar de assuntos como o preconceito em relação aos anões ou a Branca de Neve ser uma mulher forte,ou outras críticas que você tenha percebido no filme? 

5 - A Rainha sempre se mostrou excessivamente preocupada apenas com as aparências e a vaidade,e com esse comportamento ela acaba seguindo o caminho da sua destruição na história por fazer o que fosse necessário para conseguir o que ela queria,mesmo que isso resultasse em fazer mal às pessoas ao seu redor ou destruir o que se colocasse em seu caminho.Você acha isso correto ou justificável?O que você pensa sobre esse tipo de comportamento?
Explique os seus pontos de vista.


6 - Avalie o filme na sua totalidade,assim como esta atividade.



segunda-feira, 28 de julho de 2014

Os Substitutos



Atividade do filme Os Substitutos:


1 - Qual foi a cena que você mais gostou no filme? Descreva-a em detalhes e justifique o motivo da sua escolha.

2 - Qual foi a personagem do filme,pode ser um dos robôs,que você mais gostou? Descreva-a em detalhes e justifique o motivo da sua escolha.

3 - Como você vê esse fenômeno das redes sociais? Você acredita que o fenômeno que acontece no filme, das pessoas deixarem a vida normal e se esconderem em suas casas por meio de máquinas virtuais pode realmente acontecer um dia? Explique o seu ponto de vista.

4 - Você faz uso da tecnologia? Quais tipos você utiliza? Você tem o hábito de usar as redes sociais como Facebook, Twitter , Instangram ou outras? Explique os seus motivos, sejam eles a favor ou contra elas.

5 - Avalie o filme na sua totalidade,assim como esta atividade.



terça-feira, 8 de abril de 2014

Gigantes de Aço - Atividade


Atividade do filme Gigantes de Aço:

1 - Qual foi a cena que você mais gostou no filme?Descreva-a em detalhes e justifique o motivo da sua escolha.

2 - Qual foi a personagem do filme,pode ser um dos robôs,que você mais gostou?Descreva-a em detalhes e justifique o motivo da sua escolha.

3 - Quando Max retira o robô Atom da lama,ele simbolicamente começa o processo de salvar seu pai no filme.Como isso acontece?Qual o seu ponto de vista sobre isso?

4 - Quem,das pessoas que você conhece ou convive,você gostaria de poder salvar hoje?Explique como e os motivos de fazê-lo.

5 - Avalie o filme na sua totalidade,assim como esta atividade.



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Poemas Língua POrtuguesa

Epigrama No. 8

 Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.

Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar, quando caí.

( Cecília Meireles )



Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

( Manuel Bandeira )



ENTRE

Entre a coisa e o nome, a coisa
Entre o vinho e a taça, o vinho
Entre a boca e o batom, a boca
Entre a mão e a luva, a mão
Entre o pé e o salto, o pé
Entre a pele e o pano, a pele

Entre nós, nada

( Chagall )



Não Te Amo Como Se Fosses A Rosa de Sal

Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


(Pablo Neruda)



 Já Não Se Encantarão Meus Olhos Em Teus Olhos

Já não se encantarão meus olhos em teus olhos
Já não se achará doce minha dor ao teu lado
Mas por onde eu caminhe levarei teu olhar
E para onde tu fores levarás minha dor.

Fui teu, foste minha. Que mais? Juntos  fizemos
Um desvio na rota por onde amor passou
Fui teu, foste minha Tu serás de quem te ame,
Do que corte em teu horto aquilo que eu plantei.
Eu me vou. Estou triste. Mas eu sempre estou triste
Eu venho dos teus braços. Não sei para onde vou
... Desce teu coração diz adeus um menino
E eu lhe digo adeus.

( Pablo Neruda, in Crespulário )



“O lunático, o apaixonado e o poeta
Têm todos grande imaginação
Um, vê mais demônios que pode conter
O vasto inferno;
Este é o lunático; o apaixonado,
Igualmente frenético, vê a beleza
De Helena numa fronte egípcia;
Os olhos do poeta, movendo-se em exaltação,
Olham do céu para a terra, da terra para o céu
E, à medida que a imaginação dá substância
Às formas de coisas desconhecidas, a pena
Do poeta as transforma em figuras
E dá ao etéreo nada uma habitação e um nome
São tais os enganos da imaginação.
Que ao apreender alguma alegria
Compreende um portador desse júbilo;
Ou à noite, imaginando algum temor
Quão fácil é tomar um arbusto por um urso!”

( William Shakespeare )



VERSOS ÍNTIMOS

Vês ?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável !

Acostuma-te à lama que te espera !
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro !
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija !

(AUGUSTO DOS ANJOS)



PEQUENO POEMA DIDÁTICO

O tempo é indivisível. Dize,
Qual o sentido do calendário?
Tombam as folhas e fica a árvore,
Contra o vento incerto e vário.

A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconsequente conversa

Todos os poemas são um mesmo poema,
Todos os porres são o mesmo porre,
Não é de uma vez que se morre...
Todas as horas são horas extremas!
Todos os encontros são adeuses...

(MÁRIO QUINTANA)



DA DISCRIÇÃO

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...

(Mário Quintana)



Dogma E Ritual

Os dogmas assustam como trovões
e que medo de errar a sequência dos ritos!
Em compensação,
Deus é mais simples do que as religiões.

(Mário Quintana)



O Autorretrato

No retrato que me faço
-traço a traço-
às vezes me pinto nuvem...
às vezes me pinto árvore.

Às vezes me pinto coisas
De que nem há mais lembrança...
Ou coisas que não existem
Mas que um dia existirão...

E ,desta lida, em que busco
-pouco a pouco-
minha eterna semelhança...

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

(Mário Quintana)



O HOMEM NO ESPELHO

Por acaso, surpreendo-me  no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus, meu Deus...Parece
Meu velho pai – que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar – duro – interroga:
“O que fizeste de mim?!”
Eu, pai?!Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa?!Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil guerra! –
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...

( Mário Quintana, in A Cor do Invisível )


Céu

A criança olha
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
Quer tocar o céu.

Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quando o tem na mão.

(Manuel Bandeira)



Lua adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha .


Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.


E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

( Cecília Meireles )